Crítica | Kitbull

 Crítica | Kitbull

A boa e velha Pixar não decepciona quando o assunto é tocar o coração do espectador com histórias simples e cativantes. Sua nova iniciativa é uma série de curtas-animados independentes que fazem parte do projeto Pixar SparkShorts, minifilmes produzidos por empregados do estúdio durante seis meses, com orçamentos limitados e lançados no Youtube — e futuramente no Disney+. É deste espaço para experimentações — e possíveis talentos a serem descobertos — que Kitbull surge.

Dirigido por Rosana Sullivan, o curta de 9 minutos traz como protagonistas um gato de rua e um Pitbull recém-adotado. A dinâmica apresentada pelos dois é divertida, por serem “inimigos” naturais, ambos não se dão bem de cara — imediatamente nos remetendo à outra dupla do estúdio, presente desde o princípio, Woody e Buzz –, mas a aproximação dos dois ocorre de forma sutil e bela, com uma identificação mútua que surge de forma brilhantemente inocente, através de uma tampinha de garrafa, brinquedo incomum que acaba compartilhado pelos dois.

Nesse pouquíssimo tempo de duração, Sullivan nos conduz por um misto de sentimentos, trazendo temas como a solidão, o medo e a empatia para as telas utilizando apenas a animação e a trilha sonora. Como muitos curtas do estúdio, Kitbull não tem diálogos e apoia sua história completamente na experiência sensorial da obra. Portanto, não devem ser poupados elogios ao time de animadores, que optou por um traço a mão e um estilo 2D que veste a obra mais do que bem. De fato, apesar da Pixar revolucionar o mercado com seus gráficos 3D — cada vez mais perfeitos, por sinal –, é extremamente satisfatório retornar a uma animação 2D, principalmente uma que não utiliza o gráfico para apelar pela nostalgia do espectador.

A partir da animação, a equipe constrói uma história forte através de pequenos detalhes. O rabo do pitbull que se agita pela curiosidade e animação quando acompanhado, assim como o movimento sutil que o faz logo antes de alguém tentar acariciá-lo são pontos da obra que, embora pequenos, carregam muito significado, pois é possível captar a personalidade e um pouco da história do cão. O mesmo pode-se dizer da rima visual executada com o gato, cuja reação ao chamado de um humano condiz com sua “evolução” durante essa curta jornada. Ao combinar isso com a belíssima trilha sonora orquestrada por Andrew Jimenez, o resultado torna-se ainda mais tocante.

Kitbull, em sua curta duração, traz às telas o que há de melhor nos estúdios da Pixar. Uma história simples, mas cativante. Uma animação primorosa, mesmo utilizando uma técnica cada vez mais rara. Personagens marcantes, mesmo sem diálogo algum. Mais uma pequena obra-prima do estúdio que deve arrebatar o espectador e, possivelmente, arrancar algumas lágrimas dele. Algo que, afinal, também é característica recorrente nas obras do estúdio…

Originalmente publicado em http://salveferris.com/ em 15 de janeiro de 2020.

Adam

https://adamwilliam.com.br

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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