Crítica | Lino: Uma Aventura de Sete Vidas

 Crítica | Lino: Uma Aventura de Sete Vidas
5

É impossível negar que ainda existe um certo preconceito com o cinema brasileiro. A maioria dos filmes que chegam ao grande circuito são produções repetitivas, causando a sensação de “mais do mesmo”, mas é notável que o cinema nacional está ganhando cada vez mais espaço e em 2017, já entregou ótimas obras como O Filme da Minha Vida Bingo: O Rei das Manhãs.

E é em 2017 também que temos a terceira animação longa-metragem do estúdio StartAnima: Lino: Uma Aventura de Sete Vidas. O estúdio – que no ano passado completou 50 anos – é conhecido pelas animações do Grilo Feliz e outros projetos menores, como curtas animados e, aqui, surpreende pela qualidade da animação.

O filme conta a história do azarado Lino (dublado por Selton Mello), que desde criança enfrenta todo e qualquer tipo de problema que possa ocorrer e já adulto, acaba estagnado como animador de festas na sua fantasia de gato, que ele mesmo fez. Cansado de se sentir um fracassado, busca dar uma virada na vida e pede ajuda para o duvidoso Don Leon (Luiz Carlos de Moraes). O resultado não poderia ser pior e Lino se vê transformado na sua fantasia de gato.

A trama de transformação física para promover autodescoberta não é novidade no cinema, mas o problema é que a reciclagem de fórmulas não se resume a isso. Temos a criança fofa apegada ao “monstro”, remetendo à Monstros S.A.; os policiais extremamente inaptos – e como se não bastassem, nomeados para criar um trocadilho, no mínimo, sem graça. A própria voz de Selton remete ao filme A Nova Onda do Imperador, que possui uma trama semelhante à apresentada aqui.

Existe também uma linha tênue entre clichê e homenagem, com alguns momentos dedicados à fazer referências que não significam muito para nenhum dos públicos: as crianças de hoje – provavelmente – não sabem quem é He-Man, ao passo que a cena não é empolgante para os adultos que se lembram do personagem.

Um ponto a se observar também é: qual a necessidade de americanizar o produto? O caminho escolhido em Lino é exatamente o oposto ao do filme Rio (dirigido por outro brasileiro, Carlos Saldanha), animação que se propõe a ser o mais brasileira possível – ainda que isso traga outros clichês. O começo do filme é muito mais carismático, pois nota-se uma identidade própria, que ise perde conforme notamos detalhes como os nomes em inglês – no jornal, nos lugares, no carro de polícia –, o traje dos policiais, entre outros elementos que abrem mão de características brasileiras.

O acerto definitivo é o exímio trabalho de animação realizado tanto nos personagens quanto nos cenários, muito bem desenhados. O próprio trabalho de animação realizado no personagem felino é digno de aplausos, dando um passo à frente para o ramo das animações nacionais. A dublagem também é muito bem-feita, com o elenco se encaixando perfeitamente em seus personagens, destacando-se Guilherme Lopes como o antagonista Victor e Paolla Oliveira como Patty, um dos alívios cômicos.

Lino: Uma Aventura de Sete Vidas infelizmente não alcança todo seu potencial, permanecendo numa zona de conforto que envolve piadas sem graça – mesmo para os pequenos – e situações clichês. Entretanto, consegue se destacar por seu ótimo trabalho visual e acaba por ousar no campo das animações brasileiras. E só o fato de inovar em algum aspecto do cinema nacional, já faz com que mereça ser conferido.

Lino: Uma Aventura de Sete Vidas, 2017

Direção: Rafael Ribas

Roteiro: Rafael Ribas

Elenco: Selton Mello, Dira Paes, Luiz Carlos de Moraes, Paolla Oliveira, Guilherme Lopes

Duração: 93 minutos.

Adam

https://adamwilliam.com.br

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

Leia também

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *