Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

 Crítica | Planeta dos Macacos: A Guerra

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Quando Planeta dos Macacos: A Guerra começa, quase não há tempo para que o público se prepare. Jogando o espectador diretamente em um conflito que se iniciara no capítulo anterior da trilogia, Matt Reeves cria uma cena visualmente instigante e demonstra, para quem não o conhece de tabalhos anteriores – como Cloverfield – Monstro e o remake Deixe-me Entrar –, que é um ótimo diretor de suspense.

O diretor – que também foi responsável pelo segundo filme dos símios – trabalha o clima de tensão de forma semelhante, porém com um toque emocional ao envolver Caesar (Andy Serkis) de uma forma muito mais pessoal no combate, fazendo assim com que a guerra presente no título seja mais um embate ideológico do que, de fato, uma batalha de exércitos. Longe de ser um problema, afinal o roteiro tem seus melhores momentos ao desenvolver o conflito interno em Caesar lidando com a dualidade líder/indivíduo do personagem.

E não haveria um vilão melhor para fazer frente ao protagonista do que o Coronel, interpretado de forma incrivelmente insana por Woody Harrelson. Nomear o personagem por sua patente deixa claro que o vilão não responde por seu lado humano, mas sim pelo dever, algo nítido em uma das sequencias mais intensas do filme. A vilania do personagem é construída não só pelos diálogos, mas também fazendo um paralelo claro com momentos negros da história – como a escravidão e o nazismo – e, não bastando, há uma implícita comparação entre Hitler e Trump através do mesmo personagem.

Ambos os personagens representam o que há de mais forte em seus respectivos lados e as cenas protagonizadas pelos dois são dotadas de uma apreensão extremamente bem construída pela trilha sonora e pelo trabalho de fotografia. A iluminação utilizada em Caesar traduz exatamente quão conflituoso o personagem se torna ao enfrentar aquele que veio a ser seu pior inimigo. E mais do que saber utilizar a trilha sonora, Reeves sabe utilizar o silêncio para criar tensão, entregando um resultado surpreendente.

Durante a passagem pro segundo ato, o filme permite-se construir uma pequena subtrama para a inserção de um novo personagem. É nesse momento que o ritmo – construído meticulosamente até então – é quebrado momentaneamente. Entretanto, embora sacrifique um pouco o ritmo do filme, é exatamente essa sequência que permite que, mais à frente, Reeves conduza seu filme por caminhos diferentes daqueles que o espectador imagina. E isso é louvável, pois diferencia o produto de tantos outros blockbusters que trazem ideias requentadas.

Restam ainda momentos para que Reeves faça homenagens aos filmes originais e também à filmes consagrados de guerra, como Full Metal Jacket de Stanley Kubrick e Apocalypse Now de Francis Ford Coppola, dando um gosto a mais à algumas cenas já memoráveis, como a anteriormente citada sequencia inicial. Há também a jornada de Caesar e seu pequeno grupo por diversos cenários, que além de entregar cenas visualmente ricas, assemelham o filme aos antigos faroestes.

Em uma época onde a palavra “franquia” salta aos olhos de Hollywood, muitas vezes sobrepondo-se à palavra “qualidade” e resultando em filmes ruins ou meramente irrelevantes, é um alívio que Planeta dos Macacos: A Guerra construa um final tão bem definido como este. Ainda que existam possibilidades de outras histórias serem contadas, os últimos minutos ditam um desfecho para esse capítulo e estabelecem uma das melhores trilogias recentes do cinema.

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for The Planet of The Apes), 2017

Direção: Matt Reeves

Roteiro: Matt Reeves, Mark Bomback

Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Terry Notary, Ty Olsson, Judy Greer, Max Lloyd-Jones, Devyn Dalton, Sara Canning

Duração: 140 minutos.

Adam

https://adamwilliam.com.br

"Os filmes existem, é por isso que eu assisto!" Não é exatamente um "crítico de cinema", mas curte o termo "Filmmelier". Sonha em crescer e ser o Homem-Aranha um dia. Acredita que a vida não é sobre o quão forte bate, mas o quanto se aguenta apanhar. Mestre Pokémon, Sonserino e assíduo visitante da Terra Média.

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